A maioria das empresas contactadas pelo Diário Económico revela que prefere contratar alunos com mestrado.

Novabase – A Novabase contrata “mestres com mais frequência que licenciados, pois os dois anos de formação superior adicional dão-lhe mais competências e uma maior maturidade”, revela o director de recursos humanos, Manuel Beja. A empresa contrata recém-diplomados maioritariamente de Engenharias, TI, Matemática e Gestão, e tem a preocupação de cruzar competências académicas com outros “talentos, extra-académicos”, tais como responsabilidade e foco na execução, espírito crítico e inventivo, capacidade colaborativa e de trabalho em equipa, de reacção ao imprevisto, de comunicação, etc. Manuel Beja destaca ainda a valorização que é feita do envolvimento dos candidatos em ocupações de Verão, estágios, Erasmus, hobbies, voluntariado, etc.

Galp – Apesar de não ser “ uma regra da empresa, pode fazer mais sentido privilegiar candidatos com mestrado”, esclarece fonte oficial da Galp Energia. Tudo depende da função para qual a empresa está a recrutar. A Galp opta por escolher candidatos com “uma base sólida de competências técnicas e algumas soft skills que facilitam a aprendizagem e integração na empresa”. A escolha inicial é feita com base na formação académica, mas “a experiência profissional, as actividades extra-curriculares e outras características comportamentais avaliadas durante o processo de selecção são tão ou mais importantes”, segundo a mesma fonte. Até porque se uma carreira é consistente em termos técnicos, “as competências serão determinantes para o seu desenvolvimento”.

PT – “Na hora de recrutar, a PT opta preferencialmente pelos candidatos já com mestrado, por uma questão de maturidade académica e porque o investimento em formação é visto como um factor muito relevante”, explica fonte oficial da empresa. Ter média superior a 14 também é importante. “Para além de aptidões cognitivas, numéricas, verbais e abstractas e até já algumas competências técnicas”, a PT valoriza as características “relacionadas com a personalidade, o comportamento, a forma de estar na vida”. Assim, candidatos com as seguintes características: “Ser confiante, ter menos certezas sobre tudo (ou seja, aceitar que não se sabe tudo), ser perseverante, ter sentido de humor e demonstrar comprometimento são algumas das características decisivas para se ser contratado pela operadora.

Jerónimo Martins – A porta de entrada para jovens recém-diplomados na Jerónimo Martins é o programa de trainees para o qual o grupo recruta “alunos de elevado potencial, com mestrado”, revela Margarida Manaia, Head of Management Development. “Acreditamos que uma formação académica mais profunda, aliada a uma maior maturidade dos candidatos, permitem uma maior adequação à exigência dos desafios com que se deparam, em diferentes áreas funcionais”, acrescenta. A par deste programa, existem na Jerónimo Martins outras oportunidades de integração para candidatos com diferentes habilitações académicas. Capacidade de decisão, orientação para resultados, flexibilidade e adaptação a situações de mudança são essenciais para quem quer ir trabalhar para este grupo.

Science4you – Além do grau académico, o que a Science4you “valoriza bastante é a experiência de vida. É muito importante para nós um candidato que apresente uma experiência de vida vasta, como a participação em desportos colectivos ou em associações juvenis”, diz o manager da jovem empresa João Saramago. Por isso, nesta empresa de brinquedos científicos não se faz distinção entre licenciados e mestres. “Quando recrutamos um recém-licenciado sabemos perfeitamente que não terá uma experiência profissional vasta. No entanto, valorizamos bastante o sentido prático do mesmo. A capacidade de resolver problemas rapidamente. Este tipo de competências são adquiridas na experiência de vida”, acrescenta João Saramago.

EDP – A EDP prefere mestrado pós-Bolonha para a maioria das posições de quadros superiores e estágios profissionais, diz fonte oficial, embora tenha outras que requerem apenas licenciatura e outras o 12º ano (cursos técnico-profissionais). Nos candidatos procura não só competências técnicas, mas capacidade de trabalhar em equipa, abertura para aceitar desafios, etc. “São capacidades que podem ser desenvolvidas não só em contexto académico, como também noutros âmbitos, tais como a participação em actividades de voluntariado, em desportos individuais ou de equipa, associativismo ou realização do Programa Erasmus”, frisa a mesma fonte, sublinhando: quem desenvolva estas competências “terá um perfil mais distintivo”e poderá “ser alvo de preferência”.

Santander Totta – ”Recrutamos sobretudo mestres”, esclarece Isabel Viegas, directora de recursos humanos do Santander Totta. “As funções no banco exigem alguma complexidade técnica e maturidade na relação com os clientes, pelo que permanecer na escola mais um ou dois anos e fazer o mestrado tem-se mostrado relevante”, sublinha. ”Postura comercial, de orientação para o cliente, saber comunicar, falar mais do que uma língua (inglês ou espanhol), mostrar dinamismo na interacção e revelar ter uma postura de gosto por aprender e evoluir, são outros condimentos que valorizamos”, acrescenta. Mas é dado valor também ao currículo académico: escola e curso (foco em Gestão, Economia, Finanças e Matemática), notas obtidas e experiências que tenha vivido durante a formação.

Roff – A Roff valoriza nos candidatos capacidade de comunicação, de trabalho em equipa, motivação, flexibilidade e domínio dos idiomas inglês e francês, afirma Sílvia Gusmão, a coordenadora de Recursos Humanos, Formação e Qualidade da consultora tecnológica. Quando está a recrutar, a Roff não utiliza como critério selecção a distinção entre licenciados a mestres, garante Sílvia Gusmão. Desde que tenham as características que a empresa procura e valoriza, é indiferente se fizeram uma licenciatura pós-Bolonha, equivalente a três anos, ou um mestrado, que equivale a dois anos depois da licenciatura. A consultora tecnológica, criada há 18 anos, tem hoje cerca de 500 colaboradores espalhados pelo mundo.

BES Investimento – “A nossa tradição continua a ser recrutar já com o mestrado concluído”, afirma Francisco Cary, vice-presidente do BES Investimento. Embora não sejam as únicas áreas em que recrutam, os diplomados em Gestão e Finanças “são os casos prevalecentes e dominantes”. Mas também contratam engenheiros, com mestrados em Gestão e Finanças”, sublinha. Pode acontecer que façam um pequeno estágio ainda na licenciatura e depois de concluírem o mestrado acabem por voltar e ser contratados pelo BESI. Um dos factores de preferência no recrutamento é estar disponível para a mobilidade, porque neste banco de investimento os quadros podem ir trabalhar “momentaneamente para outro país ou estar baseados em Lisboa e passar alguns meses em operações noutros países”.

vilagalé – O mais importante num candidato é ter “uma sólida formação superior. Essa é a bitola”, mesmo para os quadros superiores , garante Fernando Magalhães, o director de recursos humanos da Vila Galé, sem distinguir licenciados de mestres. Quando recruta o grupo hoteleiro procura “competências estruturantes da pessoa, que têm a ver com a componente relacional”, diz o responsável. Desde logo, a capacidade de “descomplicação”, ou seja, “alguém complicado dá-se mal aqui na casa. Atrapalha e atrapalha-se a si próprio”, sublinha. Aliadas à competência técnica, os candidatos devem ter iniciativa, proactividade, interesse e vontade de aprender e crescer, assim como humildade e ambição em doses equilibradas.

 

Fonte: Económico

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