Os interessados na compra dos seguros da Caixa têm até às 17h para apresentar uma proposta vinculativa. Há dois candidatos. Saiba quem são e conheça mais sobre o negócios dos seguros do banco estatal.
Caixa Seguros é líder do mercado e lucrou 78 milhões até Setembro
Ao contrário do que acontece com o grupo CGD, a “holding” seguradora apresentou resultados globais positivos nos últimos três anos. Em 2010, 2011 e 2012, a Caixa Seguros e Saúde ainda incluía os HPP – Hospitais Privados de Portugal, empresa que penalizava os resultados da SGPS pelo facto de ainda estar numa fase de investimentos. Sem o negócio da saúde, entretanto vendido aos brasileiros da Amil, a Caixa Seguros gerou um resultado de 78,2 milhões de euros nos primeiros nove meses deste ano, o que representa uma subida de 3,8% face a igual período do ano passado.
A melhoria do desempenho da área seguradora resultou, segundo o comunicado da CGD, de “uma melhoria da actividade financeira
Em termos de actividade, os prémios de seguro directo das companhias do grupo aumentaram 13,3% nos primeiros nove meses do ano, totalizando 2.511 milhões, com o ramo vida a compensar o decréscimo de produção da área não vida. Esta evolução permitiu à Caixa Seguros manter a liderança do mercado, quer em termos globais, quer em cada um dos ramos de actividade, com quotas superiores a 26%.
Fundo Apollo foi seduzido por portugueses
A Apollo International Limited foi convencida a participar nesta operação por uma equipa de empresários e investidores portugueses, liderada por Gustavo Guimarães, antigo quadro da Shell. Formalmente, esta sociedade de gestão de investimentos, cotada na Bolsa de Nova Iorque, está a concorrer sozinha à compra da totalidade da Caixa Seguros, que controla a Fidelidade e a Cares.
O objectivo da participação da Apollo nesta privatização é a criação de uma multinacional de seguros com base em Portugal e que possa expandir-se para outros países.
Como o Negócios noticiou, a gestora norte-americana, Apollo Management International, está a ultimar uma proposta que garanta, no mínimo, o valor contabilístico das seguradoras em venda. Em cima da mesa estará uma oferta que, no mínimo, deverá rondar os mil milhões de euros, tendo em conta que, no final de 2012, os capitais próprios das três companhias em venda – Fidelidade, Multicare e Cares – totalizavam 930 milhões.
A preocupação do investidor norte-americano é oferecer um valor que impeça o Governo de desistir da venda directa destes activos, para optar pela sua dispersão em bolsa. Uma alternativa que tem ganho adeptos dentro do grupo CGD, não só porque a privatização não atraiu o interesse de empresas seguradoras, mas também porque a mais recente privatização feita no mercado – a venda dos CTT – permitiu ao Estado valorizar o encaixe inicialmente previsto com esta operação.
Como gestora de investimentos, a Apollo já tem participações no sector segurador (Athene Holding, Brit Insurance e Catalina Holdings).
Chineses da Fosun têm estratégia de aposta nos seguros
A Fosun International Limited é um conglomerado que investe em diversas áreas de negócio, desde a indústria ao sector segurador, passando pelas minas e turismo. Esta sociedade gestora está cotada na Bolsa de Hong Kong desde 2004 e desde o ano passado, em que celebrou o seu 20.º aniversário, que se tem vindo a afirmar como um grupo focado no negócio segurador.
Em 2012, o fundo lançou a Pramerica Fosun Life Insurance e a Peak Reinsurance. No processo de venda da Caixa Seguros, o grupo chinês apresentou uma proposta inicial mista quanto aos veículos de investimento (alfa e beta), propondo-se adquirir 70% de um e 58% de outro.
A aposta no negócio segurador é justificada com o objectivo de desenvolver uma área de negócio que “seja a melhor fonte de geração de capital de qualidade e de longo prazo que apoie a capacidade de investimento do grupo”, refere o comunicado dos resultados de primeiro semestre do ano.
Nos primeiros seis meses de 2013, a divisão de seguros da Fosun obteve resultados de 95,5 milhões de yuans (11,6 milhões de euros), o que corresponde a uma rentabilidade dos capitais próprios de 6,8%.
Fonte: Negócios