Analistas consideram positivo o BCP ter antecipado a saída do capital do banco grego Piraeus, destacando que a operação permite ao banco liderado por Nuno Amado libertar capital para reembolsar o Estado português.

Os analistas estimam que a operação de venda da posição de 5% no capital do banco grego Piraeus vai permitir ao BCP libertar mais de 300 milhões de euros de capital para reembolsar parte do dinheiro que o Estado português injectou no banco, através de CoCos (instrumentos de capital contigente).

As contas dos analistas, publicadas nas notas de research diárias desta quarta-feira, foram efectuadas ainda antes do BCP anunciar o preço de venda das acções e warrants do Piraeus.

Os títulos serão alienados a um valor conjunto de 2,10 euros, o que traduz um desconto ligeiramente superior ao que os analistas estavam à espera, face às cotações dos warrants e acções na sessão de ontem. O BCP estima obter um encaixe de 494 milhões de euros com a venda dos títulos, o que traduz uma mais-valia de 174 milhões de euros, dado que este activo foi adquirido por 400 milhões de euros e o banco efectuou uma provisão de 80 milhões de euros.

O BPI Equity Research assumiu um desconto de 10% na venda dos títulos, calculando que a operação geraria uma mais-valia de 215 milhões de euros, ou 172 milhões de euros líquidos de impostos. Tendo em conta estes cálculos, a operação permite reduzir os activos ponderados pelo risco (RWA) em 928 milhões de euros, o que corresponde a um impacto positivo de 60 pontos base no rácio core tier one do BCP, que em Junho se situava nos 12,5%.

Ou seja, assumindo o desconto de 10%, a operação permite ao BCP libertar 288 milhões de euros de capital para reembolsar o Estado. O BPI lembra que este montante corresponde a 11% do dinheiro que o Estado injectou no BCP e que o primeiro pagamento está previsto para 2014.

Os cálculos do Espírito Santo IB, unidade de “research” do BESI, também apontam para um impacto positivo de 60 pontos base no “core tier one”, enquanto o CaixaBI (que assumiu um desconto inferior) estimava uma libertação de capital de 330 milhões de euros.

Dado que o desconto com a venda dos títulos acabou por ser superior ao que os analistas incorporaram nos seus cálculos, a libertação de capital que esta operação vai gerar deverá situar-se abaixo dos 300 milhões de euros.

Esta operação representa um “passo no caminho do reembolso do CoCos ao Estado, um objectivo que agora deverá ser atingido”, diz o BPI, acrescentando uma série de operações futuras que o banco deverá utilizar para conseguir reembolsar a totalidade dos 3 mil milhões de euros que o Estado injectou no BCP em 2012.

O BESI salienta que o encaixe obtido com a operação representa cerca de 8% do valor de mercado do BCP em bolsa, pelo que estima uma reacção positiva dos títulos na sessão desta quarta-feira.

As acções do BCP sobem 4,49% para 11,2 cêntimos e já fixaram esta manhã um máximo desde Março após uma subida de mais de 5%.

Fonte: Económico

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