Ministro das Finanças irlandês sugere linha de crédito cautelar para fazer face às necessidades de financiamento depois de concluído o programa da troika no final deste ano.

A Irlanda pode necessitar de uma linha de crédito cautelar de 10 mil milhões de euros para poder sair “suavemente” do programa da troika que termina no final deste ano. O valor adicional foi sugerido ao jornal Irish Independent pelo ministro das Finanças Michael Noonan e é a primeira vez que o governo coloca um número na mesa.

Este montante é equivalente ao défice orçamental previsto para 2014 e serviria de almofada de segurança no caso da Irlanda não conseguir financiar-se regularmente no mercado da dívida. A Irlanda é a economia periférica que regista atualmente as yields mais baixas no mercado secundário, inferiores inclusive às verificadas para Espanha ou Itália, países que têm conseguido financiar-se com emissões obrigacionistas de médio e longo prazo.

O financiamento adicional não é denominado de “segundo resgate”, mas o partido de oposição Sinn Féin já exigiu que sejam publicamente divulgados os termos e condições que envolverá tal linha de crédito. Os detalhes, segundo o ministro, deverão ser divulgados depois do orçamento para 2014 ser apresentado. O ministro declarou, no entanto, ao jornal que espera que a linha cautelar venha “sem novas condições”.

Recorde-se que ontem o presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem, afirmou perante o Comité dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu que a Irlanda disporia de medidas de apoio para a sua “saída gradual” do programa de resgate. E confirmou que o assunto tem estado a ser discutido.

A Irlanda não é o único tema na agenda da dívida. Em final de julho, o Fundo Monetário Internacional, no seu relatório sobre a quarta avaliação do segundo resgate à Grécia, apontava dois problemas críticos no financiamento da Grécia e exigia do Eurogrupo que os resolvesse com celeridade. Um diz respeito ao “alívio” necessário na dívida grega para corrigir a trajetória ascendente do seu rácio em relação ao PIB, um “alívio” que aponta para 4% do PIB em 2014 e 2015. O outro é o “buraco” de financiamento detetado que exige 4,4 mil milhões de euros até final de 2014 e 6,5 mil milhões em 2015, antes do Tesouro grego poder regressar plenamente aos mercados obrigacionistas. O que passou a ser chamado de “terceiro resgate” da Grécia – apesar do programa do segundo resgate continuar em vigor – é hoje em dia oficial. Medidas adicionais que poderão ser tomadas em relação à Grécia incluem uma diminuição adicional nas taxas de juros dos empréstimos europeus e a redução ainda maior das exigências de co-financiamento grego na aplicação dos fundos estruturais.

No caso português, as necessidades adicionais de financiamento do Estado totalizam cerca de 28 mil milhões de euros em 2014 e 2015, depois de recebida a última tranche do pacote de empréstimos da troika. Com os sinais que atualmente vêm do mercado secundário, com as yields das obrigações do Tesouro português a 10 anos a registar valores acima de 7%, o plano de financiamento antecipado das necessidades adicionais de 2014 encontra-se em cheque. Os ministros Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque realizaram, esta semana, um giro pelas três instituições da troika num exercício de “diplomacia da dívida”.

A próxima reunião do Eurogrupo está convocada para dia 13 em Vilnius, na Lituânia.

 

Fonte: Expresso

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