As exportações de mercadorias nacionais estariam a crescer cerca de 1,9% em termos nominais homólogos nos primeiros cinco meses deste ano e não 4,1%, como revelou o Instituto Nacional de Estatística (INE) há cerca de duas semanas, se não se contar com a Galp.
Dito de outra forma, a “consistência” da dinâmica exportadora de que fala o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, depende de uma única empresa que opera num mercado exposto a grande volatilidade nos preços. O dinamismo das exportações teria metade da intensidade sem aquela.
De acordo com informações hoje prestadas pelo presidente da Galp, Manuel Ferreira de Oliveira, nos primeiros cinco meses do ano, as vendas de combustíveis para o exterior representaram 9% no total nacional, reforçando o peso médio registado ao longo de 2012, que oscilou em torno dos 7%.
De janeiro a maio deste ano, as empresas portuguesas exportaram 19,9 mil milhões de euros em mercadorias, o que representou uma expansão de 4,1% das vendas nacionais ao exterior.
Assim, à luz desses novos dados, neste período, a fatia da Galp terá rondado os 1,8 mil milhões de euros, os tais 9% de que falou o engenheiro. Mas nos mesmos cinco meses de 2012, a Galp estaria a pesar em redor dos 7% do total, ou seja, quase 1,4 mil milhões.
Extraindo a atividade da Galp às exportações portuguesas, percebe-se que os combustíveis e lubrificantes são decisivos para explicar o “sucesso” das vendas nacionais. Em vez do aumento de 4,1%, as exportações estariam a subir a metade do ritmo, quase 1,9%.
“Muito da subida das exportações nacionais tem a ver com a reconfiguração das refinarias de Sines e de Matosinhos”, disse Ferreira de Oliveira.
A Galp investiu 1,4 mil milhões de euros nas obras de renovação das duas refinarias, tendo a última fase do projeto – a instalação de um novo equipamento de produção em Sines – ficado concluída no inicio deste ano. “Se não tivéssemos feito o investimento, a refinaria de Sines estaria fechada”, observou o responsável.
Percebe-se também que metade da “consistência” da dinâmica exportadora se deve a uma única empresa que opera num mercado bastante volátil que é o da energia, uma vez que os preços )do petróleo e do gás) são determinados pelo exterior e pelos mercados financeiros.
Mesmo assim, recentemente, Passos Coelho insistiu que “as exportações crescem com consistência, sendo Portugal o terceiro país da zona euro com maiores ganhos de quota de mercado; e os excedentes externos acumulam-se, facto que desmente todos os que condenavam o país a uma dívida externa descontrolada”.
Nunca falou do sector energético, nem da importância decisiva da Galp neste processo.
O sector dos combustíveis e dos lubrificantes pesa 10,7% das exportações totais nos primeiros cinco meses deste ano, contra 8,5% no mesmo período de 2012. A subida nas vendas foi de 31%, segundo o INE.
Fonte: Dinheiro Vivo