A revista norte-americana abriu os arquivos online desde 2007 – e há grandes textos de economia para ler.
É um presente para aproveitar no Verão – ou, do ponto de vista de quem oferece, um investimento até ao Outono. A revista “The New Yorker” abriu os arquivos online até ao Outono, altura em que estreará um novo modelo de pagamento. Além da imensa publicidade que gerou – vários media norte-americanos fizeram listas de artigos obrigatórios – a “borla” oferecida aos leitores funciona como um isco para atrair novos subscritores. A revista abriu todo o arquivo desde 2007, mas disponibilizará também vários trabalhos desde a fundação, em 1925.
A “The New Yorker” ganhou notoriedade pelos perfis (o de Marlon Brando por Truman Capote é um clássico), reportagens (“Hiroshima”, de John Hersey, que ocupou uma revista inteira, é indispensável) ou textos de ficção – mas a revista, fundada em 1925, publicou grandes trabalhos na área económica. Aqui ficam sete sugestões para o Verão.
1
“the uses of adversity” (2008)
No século XIX a noção de começar por baixo e subir até ao topo era valorizada – era lá em baixo, lembra o autor do ensaio, Malcom Gladwell, que se aprendiam as virtudes da disciplina e da motivação. As ideias sobre sucesso mudaram: hoje a ideia é capitalizar nas vantagens sociais e económicas. Gladwell coloca as duas noções em confronto – e sugere que ultrapassar a adversidade ainda é uma vantagem no mundo dos negócios.
2
“eight days” (2009)
“A semana mais importante na história financeira da América desde a Grande Depressão começou às oito da manhã numa sexta-feira, em meados de Setembro do ano passado”. James B. Stewart (Pulitzer em 1987 com uma reportagem sobre a “segunda-feira negra”) descreve o auge da crise do subprime, da falência do Lehman Brothers à resposta de três decisores que falaram para o artigo: Henry Paulson, secretário do Tesouro; Timothy Geithner, presidente da Reserva Federal de Nova Iorque; e Ben Bernanke, que lidera a Reserva Federal.
3
“house perfect” (2011)
BILLY, KIVIK, LACK – já nos habituámos a mobilar parte (ou a totalidade) das nossas casas com estes nomes estranhos do gigante IKEA. Também há nomes falhados e retirados, como DICK ou FANNY. Esta é uma das curiosidades que a reportagem de Lauren Collins levanta – juntamente com perguntas incómodas sobre o impacto da empresa no espaço em que vivemos.
4
“tax me if you can” (2012)
O que fazem alguns milionários em Nova Iorque para escapar aos impostos da cidade – ou como quatro dias a mais passados dentro do perímetro da cidade podem custar 26 milhões de dólares (mais juros) a um gestor de ‘hedge funds’.
5
“business outsider” (2013)
Ken Auletta conta como Henry Blodget passou de analista caído em desgraça e banido dos mercados a director de um dos sites de notícias com maior crescimento – e influência – na comunidade financeira: o Business Insider.
6
“the hand on the lever” (2014)
Um perfil de Janet Yellen, a primeira mulher a liderar a Reserva Federal. Yellen e o marido – o Nobel da Economia George Akerlof – são filhos da Grande Depressão e encaram sem ligeireza o fantasma desemprego. Yellen, keynesiana assumida, orgulha-se do contacto próximo que tem com a economia real – o perfil, por Nicholas Lemann, elenca os desafios e as convicções da nova líder da Fed.
7
“Cheap words” (2014)
“A Amazon é boa para os clientes. Mas é boa para os livros?”. Não é por acaso que Jeff Bezos deu o nome do rio de maior caudal do mundo à sua empresa – a alternativa, como conta o consagrado George Packer, era um ainda menos discreto “Relentless.com”. Um artigo sobre o impacto (ou a sombra) que o gigante da distribuição tem no negócio de um bem que é mais que um “produto”: o livro.
Fonte: Económico