Há um comportamento misto nas taxas pedidas pelos investidores na negociação de dívida portuguesa. Mas no principal prazo, a tendência continua a ser de queda.
Os investidores voltaram esta segunda-feira, 18 de Agosto, a pedir taxas de retorno inferiores a 3,5% na troca de títulos de dívida portuguesa que serão reembolsados dentro de dez anos.
Pela sétima sessão consecutiva, a taxa de juro implícita às obrigações lusas a dez anos estão a recuar. Na sexta-feira, já tinham descido dos 3,5%, mas hoje intensificaram a queda. Tocaram hoje nos 3,48%, o valor mais baixo desde o final de Junho. Continua a sentir-se uma correcção depois da turbulência causada pela crise do Banco Espírito Santo, que manteve a dívida portuguesa sob forte oscilação.
No prazo a dez anos, aquele que é a referência de mercado, continua a verificar-se uma descida, o que indica que há uma diminuição do risco da dívida portuguesa (o risco faz uma comparação da taxa portuguesa face à taxa pedida na negociação de dívida alemã, que está hoje em alta).
Não há, contudo, uma tendência definida em todos os prazos. Nas maturidades mais curtas, verifica-se uma subida enquanto nos prazos mais longos, como a dez anos, a tendência é descendente. A taxa a dois anos, por exemplo sobe 1,2 pontos base para 0,69%.
Estas são as taxas pedidas no mercado secundário, em que os investidores trocam dívida entre si. Na quarta-feira, 20 de Agosto, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública vai promover um duplo leilão de dívida de curto prazo a três e 12 meses, no chamado mercado primário, em que o Estado coloca dívida directamente. São essas taxas que determinam os custos de financiamento do País. Nestes prazos, no mercado secundário, a tendência é diversa: há um ligeiro agravamento da “yield” a três meses, de 0,6 pontos base, para 0,18%; a 12 meses, a taxa cai 7 pontos base para 0,229%.
Com o comportamento misto, Portugal acompanha aquilo que acontece na Irlanda e Grécia e escapa à tendência de subida das taxas que se verifica na Alemanha, França, Itália e Espanha. Os analistas atribuem este avanço ao facto de as tensões entre Ucrânia e Rússia estarem a diminuir devido às conversações que estão a decorrer – o que permite aos investidores apostarem em activos mais arriscados e deixarem aqueles considerados de refúgio como a dívida germânica.
Fonte: Negócios