Em Junho, os juros dos novos empréstimos às empresas cairam para o nível mais baixo em quatro anos face à descida de ‘spreads’.

Em Junho, as empresas portuguesas que pediram empréstimos à banca beneficiaram de condições mais favoráveis. Segundo dados divulgados no final da semana passada pelo Banco Central Europeu (BCE), nesse mês, as taxas de juro aplicadas nos novos contratos de crédito às empresas baixaram, em termos médios, para o patamar mais baixo em quase quatro anos (Julho de 2010). Apesar de ter ocorrido uma ligeira descida nos indexantes associados, este movimento deveu-se sobretudo à redução dos ‘spreads’ praticados pelos bancos na altura de emprestar dinheiro, que baixaram para o nível mais baixo desde o início de 2011.

A descida dos custos do financiamento beneficiou todas as empresas, independentemente da sua dimensão. Contudo, as empresas maiores foram as que sentiram o maior impacto de descida dos juros. Para as grandes empresas (créditos acima de um milhão de euros), a taxa de juro média para os novos empréstimos (juro de mercado a que é acrescido um ‘spread’) baixou mais de um ponto percentual, de 4,93%, em Maio, para 3,89% em Junho. Neste caso, o ‘spread’ médio – que representa a grande fatia da taxa de juro cobrada – recuou 1,04 pontos base, de 4,60% para 3,57%.

Nas pequenas e médias empresas (créditos abaixo de um milhão de euros), a taxa média baixou dos 5,82% para os 5,59%, enquanto o ‘spread’ médio corrigiu 23 pontos-base, de 5,49% para 5,27%.

Estes números vão ao encontro das conclusões do último inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito, divulgado pelo Banco de Portugal na quarta-feira da semana passada. Entre os cinco bancos consultados, quatro revelaram que no segundo trimestre do ano foram ligeiramente menos restritivos na definição dos ‘spreads’ a aplicar aos empréstimos de risco médio. “A concorrência entre instituições bancárias e uma avaliação mais favorável dos riscos percepcionados (sobretudo para a actividade económica em geral, mas também para alguns sectores ou empresas específicos) foram os principais factores conducentes à adopção de uma política de crédito menos restritiva”, referia a entidade liderada por Carlos Costa para explicar o alívio das condições de acesso ao crédito por parte das empresas.

Também os particulares beneficiaram de um alívio nos custos do financiamento, mas numa dimensão muito menor. Nos empréstimos ao consumo, a taxa de juro média dos novos contratos de crédito baixou ligeiramente de 9,2%, em Maio, para 9,18%, em Junho. No caso da finalidade de aquisição de casa, o juro médio recuou de 3,27%, para 3,25%. Ou seja, para o valor mais baixo desde Dezembro do ano passado.

 

Fonte: Económico

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