Totta é o único banco com uma perspectiva estável. De resto, todos os bancos nacionais encontram-se sob a possibilidade de um corte de “rating”, mesmo apesar de a dívida portuguesa estar agora melhor classificada.

A grande maioria dos bancos portugueses – Caixa Geral de Depósitos, BCP, BPI, Montepio, Banif e BES – continuam sob uma perspectiva negativa por parte da Moody’s, ou seja, há uma maior probabilidade para que, no futuro, haja um corte da classificação de risco das respectivas dívidas. A única excepção é o Banco Santander Totta, que mantém a perspectiva estável. Nem a subida de “rating” da dívida portuguesa, anunciada na sexta-feira 25 de Julho, alterou estas perspectivas. A única subida diz respeito à dívida do BES garantida pelo Estado português, que igualou a notação da República.

Depois da decisão anunciada na sexta-feira, em que o “rating” de Portugal passou a ser classificado com uma notação de “Ba1” (um nível antes de ser classificado um investimento de qualidade) e uma perspectiva estável (sem previsão de alteração no médio prazo), seguem-se os habituais comentários sobre os efeitos em empresas portuguesas. A declaração relativa ao sector financeiro foi publicada esta terça-feira, 29 de Julho.

“A Moody’s reiterou os ‘ratings’ da dívida e dos depósitos e manteve as respectivas perspectivas” dos grandes bancos portugueses que cobre porque “acredita que a probabilidade de um apoio estatal a cada banco permanece praticamente inalterado”.

Neste momento, só o Santander Totta tem um “rating” igual ao português. A Caixa Geral de Depósitos e o Banco BPI apresentam uma notação financeira de “Ba3”, dois degraus abaixo da classificação da República. Segue-se o Banco Comercial Português, com um “rating” de “B1”, três níveis abaixo do português, sendo que a Caixa Económica Montepio Geral aparece classificado com “B2”, um abaixo do BCP. O Banif é o banco com a notação financeira mais castigada, em “Caa1”, sete abaixo da classificação nacional.

Todos os bancos portugueses, à excepção do Totta, estão sob uma perspectiva negativa, o que implica que qualquer revisão deverá ser em baixa. Isto porque as  hipóteses que estão na base de um eventual apoio público poderão ser recalculadas, com implicações negativas, no contexto da implementação das novas regras da banca europeia.

Não há ideia, por parte da Moody’s, de que possa haver qualquer subida do “rating”: os bancos têm uma posição “financeira intrinsecamente fraca” e uma pressão negativa advinda “da fraca rentabilidade” e dos “desafios relativos à qualidade dos seus activos” (como crédito malparado).

O banco português que pertence ao grupo espanhol Santander é o único que mantém uma perspectiva estável, “que reflecte a visão de que os riscos negativos no perfil de crédito do banco diminuíram substancialmente”.

BES continua sob revisão

Há uma subida de “rating” no comentário avançado pela agência de notação financeira Moody’s. E é relativa ao Banco Espírito Santo. Não é a dívida normal do banco mas sim a dívida garantida pelo Estado português. A dívida garantida pelo Estado é classificada ao nível da dívida nacional. Daí que, após a melhoria da dívida da República, também a dívida garantida do BES passe a “Ba1”, com perspectiva estável.

Já a dívida de longo prazo do banco agora sob o comando de Vítor Bento (aquela que é analisada regularmente) encontra-se em análise pela Moody’s, “devido às incertezas sobre a extensão total do passivo financeiro que pode emergir do ESFG ou de outras partes do Grupo Espírito Santo”. A possibilidade de ter de apoiar qualquer uma das sociedades é uma das razões para que a actual notação do BES, de “B3” (seis abaixo da República), permaneça sob uma perspectiva de revisão em baixa.

 

Fonte: Negócios

Comentários

comentários