Juros implícitos descem em todas as maturidades, com os investidores a reforçarem as apostas nas obrigações dos países periféricos.

As taxas das obrigações portuguesas seguem em forte baixa em todos os prazos no mercado secundário. Na maturidade a dez anos, os juros implícitos descem de 6,13% para 5,831%, segundo dados da Bloomberg. É a taxa mais baixa exigida pelos investidores desde meados de Novembro.

Os juros implícitos estão a aproximar-se do nível que permitiu a Portugal emitir a dez anos em Maio do ano passado. Naquela que foi a última emissão de médio e longo prazo por Portugal, o País foi ao mercado numa altura em que a taxa no mercado secundário negociava em 5,513%. O Estado aproveitou essa acalmia nos mercados para emitir obrigações a dez anos com uma taxa de 5,669%.

Em Dezembro, o presidente do IGCP, João Moreira Rato, tinha referido que pretendia realizar uma emissão de dívida a cinco ou a dez anos em Janeiro, apesar de nessa altura a taxa da dívida a dez anos transaccionar em torno dos 6%. A capacidade em realizar operações deste tipo é vista como crucial para provar aos parceiros europeus que Portugal tem acesso ao mercado, o que será um factor essencial para determinar o modelo a seguir após o fim do actual programa da troika, que termina em Maio.

Mas a evolução positiva da dívida não se centra apenas em Portugal. Também as obrigações espanholas e italianas registam uma descida das taxas. Em simultâneo, os juros implícitos da dívida alemã estão em alta, o que indicia que os investidores estão à procura de rentabilidade em detrimento de segurança.

“Os investidores estão a perguntar-se: porquê investir na Alemanha quando tenho o dobro da rentabilidade em Itália ou Espanha?”, referiu a economista do Rabobank, Emile Cardon, à Reuters. As taxas a dez anos de Espanha e Itália seguem em 3,98% e 3,97%, respectivamente. Já a das obrigações alemãs sobe de 1,929% para 1,935%.

A dar confiança aos investidores para tomarem maior risco aparenta estar a recuperação dos índices industriais na maior parte dos países da zona euro, em especial na periferia. “Os índices de produção industrial em Itália e Espanha saíram melhor que o esperado e estamos a assistir a investidores a saírem de dívida dos países ‘core’ da Europa para obrigações periféricas”, referiu Emile Cardo.

Além da queda das taxas nas obrigações portuguesas a dez anos, as maturidades que estão a registar um maior alívio são as de dois e cinco anos. No prazo mais curto, a ‘yield’ desce de 3,324% para 2,817%. Já a cinco anos a queda é de 5,615% para 5,221%. Em Janeiro do ano passado, o Estado emitiu dívida a cinco anos a 4,891%.

 

Fonte: Económico

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