O pedido de insolvência já deu entrada no Tribunal de Santo Tirso, mas as marcas portuguesas de roupa Throttleman e Red Oak ainda podem sobreviver. À semelhança do que fez com a marca Labrador, que comprou após a liquidação da empresa, o Edge Group pode comprar mais estas duas marcas.

“Nós não fechamos a porta a oportunidades de investimento que nos pareçam interessantes”, diz José Luís Pinto Basto, CEO do Edge Group e sócio de Miguel Pais do Amaral, ao Dinheiro Vivo. O responsável reconhece que ambas as marcas lhe deixaram uma impressão positiva e que isso é importante quando se pesa a recuperação.

Ao que o Dinheiro Vivo apurou, os donos da Throttleman e da Red Oak chegaram a abordar o Edge Group para uma aquisição, antes de entrarem com o pedido de insolvência. As marcas estavam a tentar a reestruturação, com um Processo Especial de Revitalização (PER) que começou em 2012. No entanto, a impugnação do processo pela Autoridade Tributária, que votou contra o PER desde o início, acabou por forçar o pedido de insolvência.

Mesmo com o desmantelamento das estruturas, o que inclui o encerramento de 30 lojas e o despedimento de 200 pessoas, as marcas podem ser vendidas e relançadas por um novo investidor. O Edge Group fez precisamente isso com a Labrador, marca de luxo de roupa de homem.

“Acima de tudo, gostamos de apostar nas marcas que têm o seu mercado cativado, que têm potencial de crescimento, que têm potencial de internacionalização também. Essas achamos que são recuperáveis”, explica José Luís Pinto Basto. “Quando as empresas que gerem as marcas entraram em insolvência ou fecharam por alguma razão que não tenha que ver com a falta de clientes, e os períodos de dificuldades não prejudicaram a imagem da marca, nós achamos que é recuperável.” É o caso tanto da Throttleman e da Red Oak. “Não conheço os casos a fundo, mas tenho uma boa ideia de ambas como marcas portuguesas e acho que deixaram uma boa imagem no mercado.”

A dificuldade das duas marcas foi convencer a administração fiscal, depois de praticamente todos os credores terem votado a favor do PER, incluindo a Segurança Social, e de o Tribunal de 1.ª Instância ter aprovado o plano. No entanto, o Tribunal da Relação deu razão ao fisco e os acionistas da Throttleman e da Red Oak seguiram para o Supremo e o Constitucional. O problema é que a decisão continua pendente, e mesmo tendo o PER avançado, os acionistas desistiram de esperar e optaram pela insolvência.

A experiência do Edge Group com a Labrador é positiva, depois do relançamento da marca, com uma loja nas Amoreiras, em abril do ano passado. “Temos sentido um forte crescimento nas vendas”, refere Pinto Basto, sublinhando que todas as áreas do grupo que estão ligadas ao consumo tiveram uma forte retoma na segunda metade de 2013.

“Acreditámos que a Labrador tinha um espaço no mercado que estava por preencher, portanto, a recuperação não foi difícil porque havia uma clientela tradicional da marca que estava insatisfeita, não havia alternativa.” As vendas aumentaram tanto, que o grupo vai mesmo abrir uma segunda loja em maio, no Porto, estando já fechado o contrato com as Galerias Península. “Queremos abrir mais uma loja este ano, provavelmente na Grande Lisboa”, revela o CEO do The Edge Group.

 

Fonte: Dinheiro Vivo

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