O governo irlandês levantou no fim-de-semana uma questão que é pertinente também para o futuro de Portugal.
Quando comparado com os valores hoje praticados no mercado, o empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) no âmbito dos programas de ajustamento financeiro é um mau negócio. A taxa de juro é mais alta. No caso português, o FMI emprestou 27,4 mil milhões de euros a sete anos com uma taxa de juro associada de 3,4%. Hoje, no mercado de dívida pública, os investidores cobram 2,6% por títulos com uma maturidade também de sete anos. Se Portugal conseguisse trocar toda a dívida que tem no FMI por emissões no mercado conseguiria uma poupança de 200 milhões de euros por ano em juros. Por aqui se vê a importância do tema.
Obviamente que é impossível para um país como Portugal levantar tanto dinheiro no mercado de uma só vez. Por isso, as entidades europeias podem dar uma ajuda – um caminho sugerido pelo governo irlandês. O Executivo nacional tem todo o interesse em juntar-se ao irlandês nesta questão. Os ganhos potenciais são óbvios, até porque Portugal tem que fazer fortes pagamentos ao FMI em 2017 e 2018 – 3,56 mil milhões e 4,07 mil milhões respectivamente. Livrar-se de parte deste fardo seria uma grande ajuda para a execução orçamental desses anos, numa altura em que a economia ainda está a sair da crise profunda.
Fonte: Económico