A Unicer registou no ano passado o primeiro crescimento de vendas de cerveja em Portugal desde 2004, ano da realização no país do Europeu de Futebol.
Desde então o mercado da cerveja entrou em declínio constante até 2013, ano em que a distribuidora das marcas Super Bock, Cristal ou Carlsberg, conseguiu uma subida de seis milhões de euros nas vendas.
“Pela primeira vez em Portugal vendemos mais cerveja do que no ano anterior, o que não acontecia desde 2004”, salientou João Abecassis, CEO da Unicer que substituiu Pires de Lima na liderança da empresa, depois de este ter aceite entrar no governo como ministro da Economia.
Mas os ganhos de seis milhões de euros nas vendas em Portugal perdem impacto quando analisados à luz das perdas de 33 milhões de euros nas exportações da Unicer para Angola. João Abecassis atribuiu esta quebra a alterações administrativas e alfandegárias no país africano, que terão apenas afectado a operação da Unicer na primeira metade do ano, não sendo por isso causa de preocupação para as contas de 2014.
No total, a Unicer acabou por fechar o ano com um volume de vendas de 463 milhões de euros, uma redução de 4,14% face aos 483 milhões de euros conseguidos em 2012. Mesmo com menos 20 milhões de vendas, a Unicer conseguiu fechar 2013 com queda de apenas um milhão no lucro, que assim ficaram em 27 milhões de euros.
“A excelente performance em Portugal sustenta muito os nossos resultados”, avançou ainda o CEO da Unicer, preferindo ver o exercício do ano passado pelo lado positivo. O mercado interno, disse ainda, deverá continuar em recuperação, especialmente a partir do momento em que “haja uma reposição do IVA na restauração para os 13%”. “Aquilo que temos verificado ao longo da crise é que houve resiliência do desenvolvimento do negócio das grandes superfícies, mas o canal da restauração foi extremamente atacado”, referiu Abecassis, assumindo-se “particularmente ansioso pelo pós-troika”.
Em relação aos problemas em Angola, o responsável salientou que o projecto de avançar com uma fábrica de cerveja no país se mantém, tendo conhecido “uma evolução positiva em Agosto de 2013”, estando agora a aguardar o “licenciamento por parte das agências governamentais”. Esta fábrica só deverá estar pronta a arrancar, na melhor das hipóteses, em 2016 – apesar do projecto existir desde 2005. A aposta angolana da Unicer só é parcialmente da empresa, que conta com 49% do capital, estando o resto distribuído por quatro empresas locais.
O CEO da Unicer lembrou ainda que o investimento em Angola é de alguma complexidade, já que pretende servir de projecto de fileira para os produtores da região, sendo desejável “o abastecimento local de malte”.
As contas do ano passado mostram crescimentos relativos importantes nas vendas em algumas geografias menos exploradas, casos do Brasil, Arábia Saudita e Moçambique.
No ano passado, a empresa continuou a reduzir a dívida para 165 milhões. Em 2010 estava nos 210 milhões de euros.
Fonte: Jornal i