A Tranquilidade vai ser vendida à Apollo Global Management por 215 milhões de euros, a oferta mais alta entre as propostas apresentadas. Este foi o valor acordado na operação que deverá ficar finalizada na próxima semana, segundo apurou o Dinheiro Vivo.

Atualmente estão a ser discutidos alguns acertos jurídicos, nomeadamente a transferência da seguradora para o Novo Banco.

Deste montante, segundo o Dinheiro Vivo apurou, 48 milhões de euros serão pagos ao Novo Banco e 150 milhões de euros vão ser injetados diretamente na Tranquilidade. O pagamento dos restantes 17 milhões de euros ainda está a ser acertado pela Apollo.

Fonte próxima do processo explicou ao Dinheiro Vivo que os 48 milhões de euros a pagar ao Novo Banco referem-se ao montante utilizado numa linha de crédito que a Espírito Santo Financial Group (ESFG) contraiu junto do BES e em que a Tranquilidade foi dada como garantia. Esta linha terá sido constituída para assegurar o reembolso de papel comercial vendido aos balcões do BES e podia ir até 700 milhões de euros, mas apenas foram utilizados 48 milhões.

O Dinheiro Vivo sabe ainda que a proposta da Apollo prevê que 150 milhões de euros sejam canalizados diretamente para a Tranquilidade para repor os rácios de solvência.

Mesmo depois do Banco de Portugal ter dado instruções para o Banco Espírito Santo (BES) não aumentar a exposição às empresas do grupo, nem o contrário, numa tentativa de isolar o banco do GES, a Tranquilidade aumentou a sua exposição às holdings do GES. A companhia liderada por Peter Brito e Cunha terá cerca de 135 milhões de euros em papel comercial do GES e cerca de 15 milhões de euros que foram já refletidos nas contas com a constituição de provisões, segundo apurou o Dinheiro Vivo.

Na prática, e para substituir esses 150 milhões de euros, a Apollo acordou que o dinheiro investido será injetado diretamente na companhia de seguros.

O Dinheiro Vivo sabe ainda que proposta dos americanos da Apollo contempla que o Novo Banco tenha um contrato de bancassurance para continuar a distribuir os produtos seguradores aos balcões do banco presidido por Vítor Bento.

O BES tinha um contrato com a Tranquilidade que previa a distribuição dos seguros aos balcões do BES. Segundo explicou fonte próxima do processo, falta agora apenas que o Novo Banco – porque é uma nova entidade – assine o contrato com a Tranquilidade para que essa parceria de bancassurance se mantenha.

O Dinheiro Vivo sabe ainda que o objetivo da Apollo – à semelhança do projeto que tinha apresentado à Fidelidade, mas que viria a perder para os chineses da Fosun – é fazer crescer a Tranquilidade num prazo de cinco a sete anos. Nessa altura, será reavaliado o investimento e a Tranquilidade poderá ser revendida a um preço mais elevado. Aliás, esta é uma prática comum nos private equity: comprar, crescer e vender a médio prazo por um valor bastante superior.

Os americanos da Apollo, além da Tranquilidade ficam também com a T Vida, a Logo, parte da Europ Assistance, a Advance Care e as operações da Tranquilidade em Angola e Moçambique.

A concretização do negócio está a ser acompanhada de perto pelo Instituto de Seguros de Portugal (ISP). O supervisor da área seguradora aprovou a venda da Tranquilidade a 18 de julho e, desde essa altura, tem vindo a desenvolver todos os esforços para que a venda da companhia se concretize o mais rapidamente possível, mas sem afetar a seguradora.

A Tranquilidade é detida diretamente pela Partran, que detém 100% do capital. Esta, por sua vez, é detida em 55% pela Espírito Santo Financial Group (ESFG) e em 45% pela Espírito Santo Financial. Ou seja, duas entidades que, em julho, pediram a gestão controlada às autoridades do Luxemburgo, onde estão sediadas.

Fonte: Dinheiro Vivo

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