Verifica-se já uma tendência de aumento do preço médio do vinho consumido em Portugal.
A Heritage Wines, distribuidora de vinhos ‘premium’ e ‘super premium’ do grupo The Fladgate Partnership (dono da Taylor’s), prevê fechar o ano com um crescimento de 15% nas vendas face aos cinco milhões de euros registados em 2013. Luís Sequeira, director-geral da empresa, reconhece que este segmento de vinhos “também sentiu uma retracção, mas não tanta” como se registou nos outros. Numa altura de contracção, “os consumidores procuram um porto seguro, que lhes dê garantias, preferem regressar ao universo de marcas que lhes dá mais segurança”, justifica.
Luís Sequeira frisa que o crescimento da empresa tem sido “muito uniforme”, registando aumentos quer na distribuição moderna quer no canal tradicional (restauração e garrafeiras). “É um crescimento sustentado, que não se baseia em campanhas promocionais nem em redução de preços”, sublinha. O canal tradicional vale 70% das vendas, sendo os restantes 30% garantidos junto da grande distribuição. A empresa vendeu um milhão de garrafas em 2013.
Segundos dados disponibilizados pela Heritage Wines, o preço médio dos vinhos consumidos em Portugal está a registar uma ligeira subida. No off-trade (supermercados), fixou-se nos 2,21 euros, mais 0,25 euros face a 2013. Já o on-trade (HORECA), o crescimento foi de 0,26 euros para 5,60. Mas este valor está muito abaixo do preço médio dos vinhos distribuídos pela Heritage.
A distribuidora, que é líder no segmento que opera com uma quota de 20%, representa os vinhos da Quinta do Crasto (Douro), Herdade do Mouchão (Alentejo), Espumantes Vértice, os vinhos do Porto Taylor´s, Fonseca e Croft e a nível internacional as Bodegas Roda, os champanhes Ayala e Bollinger e os vinhos franceses Maison Louis Jadot e E. Guigal. Luís Sequeira sublinha que este “é um bom portfólio” e que não há perspectivas de o aumentar.
Todas estas marcas apresentaram ontem, no Porto, as suas últimas novidades a mais de 400 vendedores de garrafeiras e restaurantes. O objectivo “é promover o encontro entre enólogos e produtores com os consumidores profissionais”. Como refere Luís Sequeira, estes encontros anuais permitem uma troca de experiências entre a produção e o vendedor, o que permite conhecer melhor o que o consumidor final pretende. Segundo revela, já houve situações em que o perfil de um determinado branco foi alterado pois não estava a corresponder ao gosto do consumidor. “Os produtores compreendem e adaptam”, diz.
A Heritage Wines comercializa ainda azeites ‘premium’ e os Chocolates Brix, o primeiro chocolate para vinho vendido em Portugal. O negócio do vinho de mesa vale 52% das vendas, o do vinho do Porto 45% e o restante é obtidos com os outros produtos.
Fonte: Económico